A corrosão da esperança
O Ceará não enfrenta apenas dificuldades pontuais em áreas essenciais. Enfrenta algo mais grave: a subnegação de um tripé que sustenta qualquer sociedade minimamente organizada: segurança, saúde e educação. Quando esses pilares falham ao mesmo tempo, o resultado não é só má gestão. É o colapso gradual da vida cotidiana, o avanço do medo e a corrosão da esperança.
Na segurança, a realidade já não pode mais ser disfarçada por propaganda. O Ceará voltou, pelo segundo ano consecutivo, a liderar o ranking nacional da violência e, mais uma vez, viu cidades da Região Metropolitana aparecerem entre as mais violentas do Brasil. Maranguape segue no topo, agora seguida por Maracanaú e Caucaia entre as piores do País, segundo estudo com base em dados oficiais do próprio Ministério da Justiça e Segurança Pública.
Mas os números são apenas a superfície. O problema é mais profundo. O que se instalou no Ceará foi um estado paralelo. Facções expulsam moradores, impõem regras, aterrorizam comunidades e passam a controlar territórios onde o poder público simplesmente se ausenta. O caso mais recente em São Luís do Curu expõe esse grau de degradação: o secretário municipal Ricardo Abreu Barroso foi executado friamente dentro do próprio comércio. O mandante? O chefe local do Comando Vermelho.
Enquanto isso, o governador Elmano hesita, silencia e tenta vender uma normalidade que não existe. Sua omissão já não pode ser tratada como simples incapacidade administrativa. Quando o governo não protege o cidadão, não garante o direito de ir e vir, e permite que o crime dite as regras em bairros e cidades, ele demonstra fraqueza. E governo fraco, diante do crime forte, empurra a população para o abandono.
Na saúde, o roteiro é parecido. Na campanha, a promessa foi zerar filas. Na prática, filas intermináveis. A própria Secretária da Saúde já estimou cerca de 60 mil pacientes na fila por cirurgia no Ceará. Não para por ai!
Ao passo em que as filas crescem, a população convive com notícias recorrentes de falta de medicamentos e insumos nas unidades de sáude. Quando falta remédio, sobra sofrimento. Quando a cirurgia não chega, a dor se prolonga. Quando o atendimento falha, quem paga a conta é sempre o cearense mais pobre. O cearense tem sofrido duas vezes: pela doença e pelo abandono da gestão do PT.
Na educação, o slogan de ensino-modelo se corrói ao passar dos anos. O Ceará chegou a ter 275 obras paradas ou inacabadas na educação básica, segundo dados do MEC. Escola precária, obra abandonada e estrutura improvisada também negam futuro. Repito, é a corrosão da esperança!
Subnegar segurança, saúde e educação é subnegar a própria dignidade do povo cearense. E um governo que falha nesse tripé falha no essencial. Não há marketing que esconda isso.