A quem Elmano defende?
Quais interesses o governador Elmano de Freitas realmente defende: a segurança do cidadão ou estruturas de poder que operam nas sombras do crime organizado? A pergunta não nasce do abstrato nem é fruto de disputa política.
Ela surge após a transferência do Tenente-Coronel Cléber Ferreira Mesquita, comandante do Batalhão de Russas, que vinha acumulando recordes de apreensões de drogas e armas no interior do Estado. Sob sua liderança, operações atingiram diretamente o Comando Vermelho na região, enfraquecendo financeiramente e operacionalmente a facção.
Em vez de reconhecimento público e fortalecimento das ações, veio a troca no comando. Coincidência? Consequência? Ou um recado silencioso de que eficiência demais incomoda? Nos bastidores da segurança pública, a avaliação é clara: quando o crime perde espaço, interesses são afetados. A substituição de um comandante que entregava resultados concretos gera inquietação na tropa e levanta questionamentos legítimos na sociedade.
Enquanto isso, o governo sustenta um discurso de valorização dos profissionais de segurança e celebra números de redução da violência como vitrine. Redução essa advinda de um pacto de paz entre facções e não fruto de uma gestão positiva do governo.
Ceará no topo da violência (mais uma vez)
No cotidiano dos batalhões, o cenário relatado mostra o caos da segurança. Policiais apontam ausência de retaguarda jurídica, carência de equipamentos, deficiência tecnológica e insegurança institucional.
A promessa de apoio integral à tropa não se materializou, basta lembrar do policial que prendeu um criminoso que ameaçava e extorquia comerciantes em Sobral e agora será investigado pela CGD. Valores invertidos. A palavra de um bandido leva o policial à CGD.
O crime organizado, por sua vez, avança e é realmente organizado. Investe em tecnologia, utiliza drones para transporte de drogas em presídios, instala sistemas próprios de monitoramento e amplia sua capacidade de intimidação sobre comunidades e comerciantes. O Estado não reage. A sensação de desequilíbrio é evidente. E quem paga a conta é a população.
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É justo reconhecer a aquisição de viaturas semiblindadas, medida importante para a proteção dos agentes. Mas, é igualmente justo lembrar que, em 2020, quando Deputado Federal, destinei recursos para essa mesma finalidade. A execução nunca aconteceu. Falta comprometimento e gestão. São inúmeras as cidades do interior em que policiais trabalham a pé por falta de viaturas, enquanto pátios acumulam veículos quebrados.
Os fatos revelam um distanciamento entre discurso e prática. Segurança pública exige liderança firme, estratégia contínua e respaldo concreto aos homens e mulheres que enfrentam o crime diariamente. O governador Elmano precisa urgentemente entender que o Ceará não precisa de marketing, mas de compromisso real com a proteção da população e o fortalecimento da tropa.