Fortaleza 300 anos: uma história que orgulha, uma realidade que preocupa
Uma história que orgulha. Uma realidade que preocupa. É assim que uma das cidades mais importantes do país chega a emblemática data de 300 anos de história.
Uma terra construída com coragem, trabalho e identidade própria. Uma cidade que nasceu à beira-mar e cresceu com a força de um povo trabalhador, resiliente e que nunca teve medo de enfrentar desafios. Esse dia 13 de abril é, sem dúvida, uma data que merece ser lembrada e respeitada. Mas celebrar não pode significar fechar os olhos para a realidade.
Ao olhar para a Fortaleza de hoje, o sentimento é de que a cidade ficou aquém do que poderia ter se tornado. Com todo o seu potencial econômico, turístico e humano, era para estarmos em outro patamar. O que se vê no dia a dia é um contraste cada vez mais evidente entre o que poderíamos ser e o que, de fato, nos tornamos.

Ruas esburacadas, lixo acumulado, famílias inteiras morando ao relento, sem teto, sem lar, sem dignidade. A população em situação de rua cresce ao passo em que a gestão resolve apenas fechar os olhos. Assim como tem fechado também na saúde. Hospitais municipais sem estrutura adequada, filas que não diminuem e um atendimento que muitas vezes não respeita a necessidade básica do cidadão. Isso não é detalhe. Isso é falta de prioridade.

Fortaleza chega aos 300 anos com uma história que orgulha, mas com uma realidade que preocupa. E não é por falta de recurso ou de capacidade do seu povo. É por escolhas erradas, por falta de planejamento e por uma gestão que não conseguiu acompanhar o tamanho da cidade. O aniversário de Fortaleza deveria marcar não apenas uma celebração, mas um ponto de inflexão. Um momento de refletir sobre os rumos da cidade e cobrar o nível de gestão que sua população merece.

Parabenizar Fortaleza é reconhecer sua grandeza. Mas também é ter coragem de dizer que ela poderia estar muito melhor. E que, com seriedade e compromisso, ainda pode ser a cidade que o fortalezense merece.